Nelson Nery lança livro sobre história do Piauí e questiona “raízes da pobreza” do estado
O escritor Nelson Nery Costa, presidente da Academia Piauiense de Letras, lança no próximo sábado (30) o livro “História do Piauí: aventura, sonho e cultura”, resultado de pesquisa e da experiência de leitura, revisão e escrita de prefácios para obras da Coleção Centenário, editada pela APL. Nesse livro, Nelson Nery faz uma reflexão sobre toda a história do Piauí mas com abordagens diferenciadas das que se costumam fazer, ressaltando, inclusive aspectos culturais, eventos políticos marcantes e um paralelo com a história do Brasil, inclusive ressaltando fatos recentes, como a prisão do ex-presidente Lula.
É uma obra que traça paralelos, por exemplo, entre as escolhas que foram feitas para as políticas econômicas e a pobreza em que vive a maioria da população. “Ele foi fruto principalmente desse meu tempo de presidência na Academia Piauiense de Letras, com esse projeto da Coleção Centenário, que fez com que eu tivesse a leitura, revisão ou prefácio de pelo menos 50 obras que passaram pela minha mão. Isso aumentou minha percepção sobre a história, cultura e literatura piauiense e eu tentei traduzir essa experiência e esse momento que vivi nessa obra. Então, é uma espécie também de uma reflexão e um relatório meu sobre essa experiência, sobre essa angústia que o Piauí nunca deixa de ser um estado de commodities, um estado que vive eternamente para produzir. Antes era gado, maniçoba, babaçu, carnaúba, e agora soja”, afirma.
Essas escolhas, segundo a pesquisa, são as raízes da situação em que o Estado vive atualmente. “Então, quer dizer que o nosso destino é eternamente ser um estado produtor de commodities? A gente nunca vai alcançar nenhum nível de industrialização? Temos que ser sempre periféricos na cultura brasileira? Onde a gente pode resgatar e mudar o Piauí? Acho que o livro trata evidentemente de um olhar sobre o passado porque é um livro de história, mas também discute as raízes da nossa pobreza, da nossa política, e também, ousadamente, tenta lançar um olhar sobre o futuro”, explica.
No prefácio da obra, o professor Manoel Paulo Nunes explicita o quão importante é salientar, nessa narrativa, “sonhos e esperança, aventura e vontade de mudança” para imprimir uma face mais real do que é retratado nos fatos mais notórios, ajudando a explicitar o cenário em que realmente aconteceram.
“Ao mesmo tempo, com esta obra das mais ricas em informações e descobertas, traz ele notável contribuição, ao processo histórico piauiense, abrindo novas perspectivas aos estudos da historiografia piauiense, desbravando-a dos modelos peremptos que a condicionavam há muito tempo e abrindo novas perspectivas aos estudiosos de nossa historiografia”, afirma Manoel Paulo Nunes.
Além da obra de Nelson Nery Costa, também serão lançados neste sábado (30) os livros Academia Piauiense de Letras – os Fundadores, de Paulo de Tarso Mello e Freitas e outros; Falando e Escrevendo, de Mathias Olympio, ambos da Coleção Centenário; e Velho e Novo Santo Antonio – Um paraíso no território dos carnaubais, de Valmira Cabral; Crispim – rios de desesperança, de Pádua Carvalho; e Lili da rede lilás, de Eliane Martins Vieira, essas últimas da Coleção Século XXI. O lançamento das obras será na sede da Academia Piauiense de Letras, às 10h.

