Censo Agropecuário mostra Cerrado com quase 50 mil empregos diretos
Dos 224 municípios do Piauí pesquisados pelo IBGE no censo agropecuário de 2017, em apenas 21 deles estão quase 50 mil empregos diretor. De acordo com os dados da tabela do Instituto, os municípios da região do Cerrado são responsáveis por 7% da taxa de ocupação de pessoas na Agricultura do Piauí. O número pode ser ainda maior. Segundo a Aprosoja Piauí com a expansão da produção – que ocupa hoje menos de 4% da área do Estado (aproximadamente 1,0 milhão de ha entre os cultivos de soja, milho, algodão, arroz, feijão e sorgo) – mais contratações serão necessárias. No Piauí todo, estão ocupadas na agricultura 670.321 pessoas, nos 21 municípios do Cerrado são 47.791 pessoas diretamente ocupadas.
Embora o dado diga respeito ao setor como um todo é importante ressaltar que o piso salarial dos trabalhadores do agronegócio do Piauí é maior que a média nacional. Segundo a PNAD contínua, no agronegócio o crescimento da remuneração foi de 10% de 2012 para 2018 no Brasil foi de 6,36%. No mesmo período o salário médio pago ao trabalhador do agronegócio cresceu mais que o recebido pela média da economia brasileira.
“Ainda temos muito o que desenvolver, o agronegócio do Piauí está avançando porque hoje temos tecnologias avançadas. As bases salariais do trabalhador rural é em muito maior que as do urbano e a do Piauí em específico é uma das maiores do Brasil”, explica Alzir Neto, presidente da Aprosoja.
Segundo ele em relação a geração de empregos, a Associação destaca que o agronegócio do Piauí é um setor altamente tecnificado, que ainda assim por se tratar de nova fronteira o crescimento das vagas de emprego é constante inclusive em períodos de crise, basta pegar as taxas de desemprego das regiões produtoras.
Setor aposta na parceria com o Estado para ter mais segurança jurídica
A mais nova aposta dos produtores da região que deverá gerar impulsionar ainda mais a geração de emprego está nos três projetos de lei para a regularização fundiária que o Governo do Estado encaminhou para a Assembleia Legislativa. Com a aprovação das leis o setor ganhará mais segurança jurídica e também ficará ainda mais difícil a figura do especulador.
Com maior segurança jurídica será possível que mais produtores invistam na região e que mais empresas sejam atraídas para as 21 cidades que fazem parte da região do Cerrado do Piauí. “Nós temos figuras estigmatizadas no Piauí que compraram áreas e que não plantam, portanto não geram empregos. Nós somos totalmente contra especulador, esta figura não gera riqueza”, afirma Alzir.
Comércio na região cresceu com o Agronegócio
Comerciante da cidade de Uruçuí desde 1981, o empresário Gilson Alves de Andrade, aponta os impactos do agronegócio da região para os demais setores. “A gente vê que novos campos de trabalho foram aparecendo depois da agricultura. Deu oportunidade para muitas pessoas da cidade e para o comerciante também porque o funcionário tem o dinheiro no final do mês para pagar. A agricultora para nós aqui é tudo, só nos transformou para melhor”. Gilson, proprietário de loja de material de construção, conta que o seu ramo de negócio ganhou muito positivamente.
Destaque também na preservação
O destaque do Cerrado piauiense não se dá apenas na geração de empregos, mas também na produtividade alinhada a preservação. O percentual de área de vegetação nativa preservada pelos produtores rurais do Piauí é superior ao exigido pelo Código Florestal (Lei 12.651/2012). O Piauí dedica 31,1% do seu território à vegetação nativa em áreas de preservação permanente (APPs), reserva legal (RL), vegetação excedente e hidrografia. Somado à área protegida (Unidades de Conservação), esse percentual chega a 36,4%. Na média, 63,2% da área dos 140.928 imóveis rurais, registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) até agosto, são destinadas à preservação da vegetação nativa.
A quantidade de área destinada à preservação ambiental varia de acordo com a localização do imóvel rural e o bioma nele existente. No Piauí predomina o cultivo no bioma Cerrado, em que a exigência é de no mínimo 30% (20% da Lei Federal + 10% de compensação devido a Legislação Estadual) da propriedade mantida com vegetação nativa.
Esses números são resultados da análise feita pela equipe da Embrapa Territorial (Campinas, SP) para a Associação dos Produtores de Soja do Estado do Piauí (Aprosoja-PI) e foram apresentados em setembro deste ano.

