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Setembro Amarelo: a relação da cultura do cancelamento com a depressão

by Laryssa Saldanha for Notícias Leave a comment
Setembro Amarelo: a relação da cultura do cancelamento com a depressão

O Brasil acolheu o Setembro Amarelo, movimento destinado a dar visibilidade na prevenção ao suicídio e a depressão. Desde então, o mês concentra cada vez mais eventos, ações e atividades focadas em levar informação sobre a importância em se discutir o assunto. Desde 2014 a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM, organiza nacionalmente o Setembro Amarelo.

Com o aumento exponencial do uso de redes sociais, surgiu um novo movimento que vem causando preocupação: a cultura do cancelamento. A pauta nunca esteve tão em alta quando o assunto é boicotar determinada pessoa por ela ter sido mal interpretada ou feito ou dito algo ruim diante das redes sociais. E isso não acontece apenas com famosos: pessoas anônimas também podem ter a vida prejudicada devido ao cancelamento. Basta alguém apertar o botão publicar, esperar alguns segundos e a vida de outra pessoa poderá ser comprometida por meses e até anos.

A psicóloga do Hapvida, Mírian Primon, avalia o que o cancelado pode fazer ao ser vítima de comentários pesados na internet. “Esta é uma nova faceta ou algo aproximado do que nós já conhecemos como bullying com a diferença que se manifesta pública, voltada para um posicionamento que o outro assume. Mas os efeitos são preocupantes em ambos os casos. Na cultura do cancelamento, os julgamentos que poderiam ser apresentados como algo construtivo podem ter um efeito totalmente contrário, resultando em transtornos mais graves e até tentativas de suicídio”, explica.

Nesses casos, será necessário um acompanhamento com médicos e psicólogos que vão estabelecer um melhor caminho e tratamento para cada indivíduo. Para algumas pessoas, o tratamento terá que ser à base de remédios, além de consultas periódicas com psicoterapeutas.

“Existe um enorme medo de julgamentos. Estamos constantemente nos policiando para ter certeza que seremos aprovados, seja pela pessoa com quem vivemos, familiares, amigos, colegas de trabalho, etc. E para aliviar esse medo, muitas pessoas o transferem para outra pessoa. Um outro motivo pode ser a sensação que o cancelamento causa nas pessoas, de que cancelando um comportamento ruim de alguém eu estou fazendo a minha parte para transformar o mundo em um lugar melhor”, finalizou a psicóloga do Hapvida, Mírian Primon.

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