Em quatro anos, no Brasil, o número de caixas do medicamento ritalina, indicado para o tratamento do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) saiu de 1 milhão para 2 milhões. O dado é referente ao período de 2008 a 2012 e foi apresentado pela psicóloga Valéria Ribeiro durante o ciclo de palestras do evento Janeiro Branco promovido pelo Conselho Regional de Psicologia 21ª Região em Teresina e em outras cidades do interior.
A saúde mental na infância foi tema da palestra da renomada psicóloga e ela chamou atenção para a cada vez mais crescente “transformação de comportamentos normais da infância em doença ou problemas psicológicos”. Segundo Valéria, nos seus mais de 15 anos de experiência nos últimos anos quase que 90% das crianças que chegam ao seu consultório vem com um indicativo de diagnóstico do TDAH – um transtorno neurobiológico que causa sérios prejuízos provocando dificuldade em manter a concentração, causando agitação e dificuldade de executar as tarefas até o fim. O diagnóstico clínico necessita de uma série de exames que incluem profunda avaliação psicológica.
“Será que todas estas crianças vieram com defeito de fábrica? Eu afirmo que não e na grande maioria dos casos eram apenas crianças que não se encaixavam em um padrão, em um modelo estabelecido, não tinham nenhum problema ou síndrome. E isso é preocupante”, afirmou a psicóloga que é especialista em psicologia infantil. Ela alerta para o farto de que a negligência com a saúde mental na infância é causadora de problemas na adolescência e na vida adulta e que pais e sociedade precisa estar preparador para lidar com as crianças e seus comportamentos em condições do mundo atual, inclusive como ponto de partida no combate ao suicídio.
O evento Janeiro Branco trouxe ao Piauí, além de Valéria Ribeiro, o psicólogo Leonardo Abrahão, criador do movimento. Um dos pilares do movimento é valorizar e defender a cultura da saúde mental como necessária e que precisa ser abraçada por toda a sociedade, inclusive nas políticas públicas de saúde. De acordo com o presidente do CRP- Piauí, Eduardo Moita, a participação cada vez maior de vários setores dentro do movimento, que foi criado por psicólogos, indica que “estamos seguindo no caminho certo e aqui no Piauí estamos mobilizando cada vez mais setores”, acrescentou.

